Ministro pede cautela em relação a Rússia

Girolando | 18 de agosto de 2014

Depois de duas semanas de empolgação da indústria de carnes e do governo brasileiro com a decisão da Rússia de autorizar a importação de 91 unidades de carnes e lácteos do Brasil, o tom agora é de cautela. Em entrevista ao Jornal Valor Econômico, o ministro da Agricultura, Neri Geller, disse que não é o momento para se falar em aumento imediato de exportações ou para “euforia” – como já vinham alertando, nos bastidores, outras fontes da Pasta.

“O que precisamos ter muito claro é que este momento com a Rússia tem que ser visto com muita cautela”, afirmou o ministro. “Ninguém aqui está falando que vamos aumentar nossas exportações. Estamos preocupados em ter estabilidade no fornecimento e não trabalhamos com euforia”, reforçou. Segundo Geller, o governo vem procurando mostrar que há qualidade na produção das carnes nacionais e condições de expansão.

No dia 7, o Ministério confirmou que o serviço sanitário da Rússia liberara 89 plantas brasileiras de carnes de frango, suína, bovina e miúdos, além de duas unidade de lácteos, para exportarem àquele país. A notícia, carregada de mensagens políticas, veio logo depois de Moscou anunciar embargos às importações de alimentos e outros produtos dos Estados Unidos e da União Europeia, em uma resposta às sanções econômicas impostas à Rússia por conta da crise na Ucrânia.

Segundo Geller, a partir de uma orientação da presidente Dilma, houve uma reunião recente entre o ministério e vários representantes do segmento de carnes, em Brasília, em que o governo pediu cautela para produtores, indústrias e tradings. “Até porque o embargo [imposto pela Rússia aos EUA e à UE] pode cair no médio ou até no curto prazo”, acrescentou. “E daqui a pouco os EUA podem retaliar a gente também, fechar mercado, e a União Europeia idem”, advertiu. A UE chegou a pressionar o Brasil por causa das medidas russas.

Um exemplo de que é preciso ter calma, segundo o ministro, é o caso de dois estabelecimentos de carnes da BRF que foram liberados a exportar para a Rússia nos últimos dias, mas ainda não estão aptos a iniciar a produção, por conta de adequações técnicas. Ambos estão entre as unidades que poderão exportar pela primeira vez – que são a maioria entre as 89 liberadas pela Rússia -, conforme disse o ministro.

Neri Geller antecipou que mais duas plantas de carne bovina, localizadas em Lucas do Rio Verde e em Sorriso, dois importantes polos agrícolas de Mato Grosso, ainda aguardam habilitação e poderão ser liberadas em breve para vender para os russos.

“A de Sorriso eu conheço. Se habilitar, ela pode começar imediatamente a exportar. Mas não podemos fazer ‘cavalo de batalha’ em cima da Rússia”.

Independentemente do embargo russo aos americanos e europeus, a principal expectativa que a indústria brasileira nutria antes da medida era de que fossem suspensas restrições da Rússia a algumas fábricas do país, impedidas de exportar por supostos problemas sanitários. Isso aconteceu, por exemplo, com duas plantas da BRF, uma em Rio Verde (GO) e outra em Uberlândia (MG).

Entretanto, a Rússia também impôs novas restrições nos últimos dias. Junto com as liberações, os russos suspenderam quatro frigoríficos de carne bovina e suína: um da JBS, em Aquidauana (MS), um da Marfrig, em Tangará da Serra (MT), e um da Minerva, em Barretos (SP), todos de bovinos, e um de suínos, da Alibem, de Santo Ângelo (RS).

Em nota, o Ministério da Agricultura afirmou que, dentre os quatro, “$ somente um informou que o motivo da suspensão foi a detecção de coliformes na carne bovina. Os quatro frigoríficos exportavam antes para o país”.

E, enquanto adota cautela em relação à Rússia, o Ministério da Agricultura se mobiliza para tentar abrir outros mercados.

No dia 24, Neri Geller viaja para Teerã, capital do Irã, acompanhado por outros autoridades do ministério e de uma delegação de empresários, executivos e representantes de entidades que reúnem os exportadores de carnes, como Abiec (carne bovina) e ABPA (aves e suínos). A intenção é retirar o embargo que os iranianos impuseram à carne bovina produzida em todos os 17 estabelecimentos do Mato Grosso, após a confirmação de um caso atípico da doença da “vaca louca” no Estado, em maio deste ano.

No dia 28 deste mês, o mesmo grupo tem reuniões marcadas com importadores egípcios e o ministro da Agricultura do Egito para tentar ampliar as exportações de carne bovina àquele mercado.

 Notícia do Jornal Valor Econômico. 

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