O ano da superação

Girolando | 23 de janeiro de 2014

Os preços do leite pagos ao produtor atingiram patamares em 2013 que não eram vistos havia anos. Custos de produção elevados, margens reduzidas ou mesmo inexistentes, aumento das importações e desestímulos a investimentos foram deixados em 2012. A pecuária leiteira superou as dificuldades e conseguiu se reerguer no ano passado. O mercado internacional contribuiu com a redução da oferta nos principais players globais e com a queda na cotação do milho. Internamente, o consumo acima da produção interna e a crescente renda dos brasileiros somaram-se ao cenário mundial para dar o vigor necessário à recuperação do setor.

Os produtores de leite conseguiram colocar as contas em dia e retomar o fôlego. Houve recuperação da margem e realização de investimentos, ainda que contidos, principalmente na alimentação do rebanho. Com o milho, base da ração animal, cerca de 9% mais barato que em 2012, o rebanho foi mais bem alimentado e, consequentemente, trouxe maior retorno financeiro. A receita, é claro, foi maior para aqueles que, mesmo diante das dificuldades dos últimos anos, persistiram investindo em qualidade e gestão. Esses produtores pavimentaram um excelente caminho para 2014, pois fatores como gestão competente e flexível e o aproveitamento das oportunidades fizeram a diferença na contabilidade de 2013.

Preço

O ano começou com os preços em trajetória ascendente. A elevação manteve-se até setembro, quando, com o início da safra de leite e devido à recuperação das pastagens no período chuvoso, foi registrado aumento na captação em praticamente todo o país. Em Minas Gerais, o incremento em novembro foi de 6,25%, comparado a outubro.

Concomitantemente ao aumento de produção, houve supressão da demanda, causada pela alta dos preços no varejo. A diminuição do consumo combinada à produção maior provocou a queda dos preços pagos ao produtor, registrada nos últimos meses de 2013. A projeção para o primeiro trimestre deste ano é que a tendência de queda perdure, mas nada nos níveis de 2012.

O cenário que se espera mantém o aumento da oferta de leite no mercado interno, pressionando para baixo o preço do leite spot e, consequentemente, o preço pago ao produtor. O desenho é complementado pela expectativa de retomada dos níveis de produção em países exportadores – fator cuja intensidade do impacto no mercado brasileiro está atrelado à desenvoltura da taxa cambial.

Segundo dados do International Farm Comparison Network (IFCN), DairyAustralian e Rabobank, as previsões para este ano são de crescimento na produção de leite dos principais players: Nova Zelândia (4,5%), Índia (4,5%), China (3,5%), Austrália (2,0%) e EUA (1,4%). Tal cenário tende a recuperar os estoques mundiais de lácteos. A concretização dessa expectativa significará, principalmente, impacto nos preços dos leites longa vida e em pó no atacado. Para o Brasil a previsão é que a produção cresça 2,5%.

2014

Portanto, para este ano, as projeções apontam um comportamento de mercado influenciado pelo aumento da oferta nacional e mundial. Ou seja, tanto a demanda interna quanto a externa influenciarão diretamente os preços. No mercado brasileiro, o consumo de leite tem crescido mais que a produção já há alguns anos, o que ameniza um pouco esse cenário. Também há estimativas de que a próxima safra de grãos será recorde. Se estiverem corretas, a oferta abundante tende a não dar margem para grandes variações no custo de alimentação do rebanho. Outro fator que pode ser positivo é a taxa de câmbio. Com o dólar em torno de R$ 2,39 (cotação da semana passada) e a tonelada do leite em pó no mercado internacional em torno de US$ 5.035, os laticínios não são motivados a importar.

A conjuntura desfavorável ao produto estrangeiro, além de influenciar nos preços internos, se configura em vantagem competitiva para os pecuaristas brasileiros. Nesse sentido os investimentos na melhoria da qualidade do leite e em gestão tanto garantem margens mais positivas no cenário interno que está se desenhando para 2014 quanto se configuram como alicerces para que o país volte a exportar.

Os investimentos contínuos dos produtores em suas fazendas têm reflexo no aumento da competitividade da cadeia, contribuindo diretamente para que os produtos lácteos brasileiros possam ser apreciados pelos consumidores tanto no mercado interno quanto no externo. Desde 2008, o Brasil é importador de leite e mesmo com um ano favorável como 2013 a balança comercial de lácteos registrou déficit de US$ 443,5 milhões – dados de janeiro a novembro. Portanto, nada é mais desejado do que os produtores começarem a colher os resultados dos investimentos que têm feito para aumentar a qualidade e a produtividade. A oportunidade está posta, agora é aproveitar. Por Wallisson Lara Fonseca – Analista de agronegócios da FAEMG – Milk Point

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