O que é ruim para os EUA é bom para o Brasil

Confinamento | 2 de abril de 2014

A engorda de gado em confinamento começa em abril, mas é a partir deste mês que os pecuaristas brasileiros se preparam para entrar na temporada com o pé direito.

A hora é de colocar na ponta do lápis a previsão de gastos com alimentação dos animais, além de computar o preço do boi magro e do bezerro, itens que representam 85% do custo de produção de um bovino engordado nesse sistema. Em um primeiro trabalho de estimativa de mercado, a Associação Nacional dos Confinadores (Assocon) prevê, entre os seus associados, que o volume de gado a ser confinado pode aumentar 25% em relação a 2013. A Assocon conta com 69 produtores que controlam 76 confinamentos em 11 Estados, nos quais a engorda nos últimos anos tem sido próxima de 1,5 milhão de animais, o equivalente a 45% do total de bovinos confinados no País. No ano passado, foram confinados 3,3 milhões de animais. No entanto, para Bruno de Jesus Andrade, gerente executivo da Assocon, as primeiras projeções são exageradamente positivas, em função da realidade do mercado internacional de carne bovina. “Para ficar com os pés bem fincados no chão, apostaria em um crescimento de gado confinado entre 8% e 10%”, diz ele.

O cenário é otimista porque há elementos que sustentam as previsões de aumento da demanda por gado confinado, um tipo de animal de qualidade superior para os frigoríficos. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), as importações mundiais de carne bovina, em 2014, deverão crescer 4,3%, totalizando 7,5 milhões de toneladas. Em relação ao consumo mundial de carne vermelha, a previsão é de 57 milhões de toneladas, 0,2% acima de 2013, o maior dos últimos seis anos. Alexandre Mendonça de Barros, professor da Fundação Getulio Vargas e analista de mercado da consultoria MB Agro, de São Paulo, diz que a previsão de crescimento da produção e do consumo mundial de carne favorece as exportações brasileiras porque há um desequilíbrio sem precedentes na pecuária de corte americana e australiana, dois grandes exportadores mundiais de carne que atualmente enfrentam dificuldades. “A estiagem na Austrália e o frio nos Estados Unidos podem comprometer os resultados da pecuária nesses países”, diz Mendonça de Barros. No ano passado, os Estados Unidos exportaram 1,1 milhão de toneladas de carne, volume que neste ano deve ter uma redução de 8%, segundo o Usda. Para o Brasil a previsão é inversa: as exportações devem sair da casa de 1,5 milhão de toneladas para os dois dígitos. O cenário de baixa oferta de gado nos Estados Unidos é resultado, também, da explosão nos preços dos grãos e da seca que assolou o país por dois anos consecutivos, antes das fortes geadas deste ano. De 1998 para cá, o rebanho americano diminuiu de 100 milhões de cabeças para os atuais 88 milhões. “Os americanos estão diante do menor rebanho, em mais de 60 anos de história, e da menor oferta de bezerros desde 1941”, diz Mendonça de Barros. Os Estados Unidos são os maiores produtores mundiais de carne bovina, com 12 milhões de toneladas por ano. E ainda importam, anualmente, pouco mais de um milhão de toneladas da carne, a maior parte para a produção de hambúrguer. De acordo com o especialista da MB Agro, que no mês passado participou do 2º Encontro de Confinadores, organizado pela empresa paulista de nutrição animal Premix, no Rio de Janeiro, o confinador brasileiro pode estar diante da maior virada da pecuária nacional. Os Estados Unidos terão de importar mais carne para suprir a sua demanda por determinados cortes, principalmente de dianteiro de boi. No mercado, especula-se que o Brasil poderia vender até dez mil toneladas de carne in natura aos americanos .

Na Austrália, outro concorrente direto do Brasil no mercado internacional, o cenário desfavorável se deve à seca que assolou o país no ano passado. O Estado de Queensland, o maior polo criador de bovinos da Austrália, enfrentou no ano passado o dezembro mais seco dos últimos 75 anos. O país tem um rebanho próximo de 30 milhões de animais e exporta um milhão de toneladas de carne. “Há um desequilíbrio muito grande entre a demanda e a oferta de animais para o abate na Austrália”, afirma Mendonça de Barros. “Pelos próximos três anos, o País vai continuar com problemas, porque só agora iniciou o ciclo de retenção de fêmeas para aumentar o rebanho.” Atento a esse cenário e, claro, de olho nos indicadores de preços de grãos, o confinador Almir Moraes, da fazenda Captar Agrobusiness Confinamento, em Luiz Eduardo Magalhães, na região oeste da Bahia, vai confinar 50 mil bovinos neste ano. Segundo ele, que em 2013 engordou no cocho 42 mil animais, os planos são de investir pesado na ampliação de seu confinamento. A capacidade estática de 30 mil animais vai passar para 100 mil, até 2018. Dos R$ 40 milhões de investimentos previstos, R$ 25 milhões já foram injetados em infraestrutura nos últimos quatro anos. “Temos tecnologia para produzir o boi com a qualidade que o mercado quer”, diz Moraes. É com o mesmo olhar otimista que o confinador Leonardo Zen vai dobrar o volume de bovinos engordados neste ano para quatro mil animais, em Vila Bela da Santíssima Trindade, em Mato Grosso. “O custo de produção não deve dar grandes saltos”, diz Zen. “Por isso, precisamos ficar de olho nos preços do milho e do farelo de soja e aproveitar as oportunidades para vender melhor o boi.” De acordo com dados da Assocon, o País tem potencial para confinar quatro vezes mais do que confina atualmente, sem mexer na estrutura física do sistema de engorda. “É só uma questão de mercado colocar mais animais no cocho”, diz Andrade. (Fonte: Revista Dinheiro Rural)

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