Aprenda o que é a pecuária no pantanal e como funciona na prática

Aprenda o que é a pecuária no pantanal e como funciona na prática

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Conteúdo
  • O que é a pecuária no Pantanal?
  • Como funciona a pecuária no Pantanal?
  • Quais são os impactos da pecuária no Pantanal?
Muito além de uma atividade produtiva, a pecuária pantaneira é um dos principais pilares da sustentabilidade local: gera empregos e renda ao mesmo tempo em que contribui para a conservação do bioma. Adaptada ao ritmo natural das cheias e secas, a criação de gado na região segue um modelo extensivo, baseado em pastagens nativas e em um profundo conhecimento do território — transmitido de geração em geração. Algumas fazendas já avançam ainda mais, adotando práticas de pecuária orgânica com foco em sustentabilidade, bem-estar animal e qualidade da carne. Quer entender como esse modelo funciona na prática, quais são seus impactos e como a pecuária pantaneira se posiciona como referência em produção sustentável? Continue a leitura.

O que é a pecuária no Pantanal?

O Pantanal é uma das maiores planícies alagáveis do mundo, reconhecida pela sua biodiversidade e pelo papel essencial no equilíbrio ambiental, com cerca de 15 milhões de hectares. Desse total, 64% estão localizados em Mato Grosso do Sul, onde o bioma ocupa aproximadamente 27% do território estadual. A pecuária é a principal atividade econômica da região, praticada historicamente em sistema extensivo e adaptada ao ritmo natural das águas. O gado é criado em pastagens nativas, onde a nutrição animal acompanha de perto o ciclo das cheias e secas, aproveitando a oferta sazonal de forragem. A pecuária de corte e a recria são predominantes, com destaque para a forte produção de bezerros. Essa prática tradicional manteve uma convivência harmoniosa com a fauna silvestre por décadas, embora o avanço do desmatamento e da transição para modelos de produção intensiva estejam gerando novas preocupações ambientais.

Como funciona a pecuária no Pantanal?

A pecuária pantaneira funciona de forma extensiva, baseada em pastagens nativas e completamente adaptada ao ciclo das águas. Durante a cheia (outubro a março), o gado é conduzido para áreas mais altas — as cordilheiras —, retornando às áreas inundadas assim que as águas baixam. Esse movimento favorece o descanso do solo e a regeneração das pastagens. O manejo é guiado pelo conhecimento tradicional, com destaque para as comitivas, grupos de peões que conduzem os rebanhos por longas distâncias. A principal vocação da região é a cria de bezerros, que seguem para engorda em outras áreas do país. Para compensar a baixa concentração de minerais nas pastagens, os pecuaristas utilizam suplementação nutricional. Nos últimos anos, tecnologias como a IATF têm elevado a eficiência produtiva na criação de gado de corte — e o modelo extensivo, com baixa taxa de lotação, contribui para a preservação de cerca de 80% da vegetação nativa do bioma.

Quais são os impactos da pecuária no Pantanal?

Entenda quais são os principais impactos da agropecuária pantanal no Brasil.

Impactos econômicos

A pecuária é uma atividade tradicional e fundamental para a economia pantaneira, garantindo renda e ocupação para milhares de famílias. Em áreas protegidas ou com fortes restrições ambientais, a produtividade tende a ser menor e os custos maiores, o que reduz a lucratividade e alimenta debates sobre a viabilidade econômica de alguns modelos produtivos. A crescente demanda por produtos sustentáveis e certificados cria novas oportunidades, como a carne sustentável do Pantanal, selos de indicação geográfica e o fortalecimento do turismo ecológico e da pecuária orgânica — modelos que podem elevar a renda do produtor e reforçar a imagem positiva da região.

Impactos ambientais

Modelos intensivos de pecuária podem causar compactação, erosão, perda de fertilidade e processos de desertificação do solo. O uso excessivo de agrotóxicos, fertilizantes e queimadas impacta a qualidade do solo e dos recursos hídricos, além de contribuir para a poluição atmosférica. A expansão da pecuária com substituição da vegetação nativa por pastagens exóticas provoca fragmentação de habitats e redução da fauna e flora. A erosão nas áreas de planalto contribui para o assoreamento de rios como o Taquari, resultando em graves desastres ecológicos e socioeconômicos. Já o desmatamento e o uso inadequado do solo afetam o fluxo das nascentes, alterando o ciclo de cheias e secas e prejudicando fauna, flora e atividades produtivas.

Desafios atuais

A implementação de modelos sustentáveis é urgente para manter a integridade ecológica do Pantanal. No âmbito produtivo, a falta de assistência técnica dificulta o acesso a orientações sobre como controlar carrapatos e a tristeza parasitária de forma segura, o que muitas vezes leva ao uso inadequado de defensivos. Além disso, a atividade ilegal em áreas protegidas e a invasão de terras indígenas ampliam as tensões sociais. A região ainda sofre com a falta de fiscalização efetiva, e a dificuldade de monitorar um bioma tão amplo compromete a capacidade do Estado de mitigar impactos e garantir o avanço de práticas agropecuárias responsáveis.

Quais são os desafios dos pecuaristas no Pantanal?

Existem alguns desafios na criação de gado no pantanal, entenda as mais comuns.

Ciclo extremo das águas

A rotina no Pantanal é fortemente moldada pelos períodos de seca e cheia, que podem variar em intensidade com as mudanças climáticas.
  • Secas prolongadas reduzem a qualidade e a disponibilidade das pastagens nativas, obrigando maior investimento em suplementação alimentar. O estresse nutricional aumenta a vulnerabilidade dos animais, especialmente dos bezerros;
  • Cheias intensas tornam os animais — já enfraquecidos pela seca — mais suscetíveis a doenças. As fazendas precisam deslocar o rebanho para áreas altas, o que demanda planejamento logístico complexo, e o acesso às áreas produtivas pode ser limitado por longos períodos.

Incêndios florestais

A seca intensa e a vegetação acumulada aumentam o risco de incêndios, muitos causados por ação humana, acidental ou criminosa. Esses eventos provocam prejuízos econômicos elevados, perda de pastagens e infraestrutura, mortandade de fauna e impactos severos ao ecossistema. A dificuldade de acesso às áreas remotas agrava o combate ao fogo e reforça a necessidade de práticas preventivas.

Desafios logísticos

A geografia pantaneira impõe limitações à mobilidade durante todo o ano: na seca, estradas de aterro podem se tornar difíceis de transitar; na cheia, muitas vias ficam submersas. Essas condições exigem o uso de tratores, embarcações e equipamentos especializados, aumentando os custos operacionais.

Imagem pública e sustentabilidade

Os pecuaristas pantaneiros frequentemente enfrentam críticas relacionadas à degradação ambiental e aos incêndios. Consolidar uma pecuária sustentável exige provas de que o manejo tradicional bem aplicado contribui para a conservação, além de investimentos em boas práticas e tecnologias que conciliem produção e preservação do bioma.

Influência do planalto

O Pantanal depende diretamente das águas que chegam dos planaltos circundantes. Por isso, atividades como desmatamento, agricultura intensiva e construção de barragens impactam o regime hídrico da planície, alterando a quantidade e a qualidade da água que alimenta o bioma.

Quais são as boas práticas de pecuária sustentável no Pantanal?

A sustentabilidade na pecuária pantaneira se baseia em um manejo adaptado aos pulsos hídricos, no uso de pastagens naturais e em técnicas que respeitam os limites ecológicos da planície. Além de proteger o bioma, essas práticas agregam valor ao produto final e contribuem para o desenvolvimento econômico regional.
  • Manejo adaptado ao ciclo das águas: o deslocamento do gado entre áreas inundáveis e regiões mais altas permite que a produção siga o ritmo natural do Pantanal, conservando pastagens nativas durante a cheia e mantendo áreas livres para a fauna silvestre;
  • Pecuária extensiva com pastagens naturais: o sistema extensivo utiliza pastagens nativas, evita a expansão de áreas desmatadas e impede a substituição por forrageiras exóticas de alto impacto, mantendo o Pantanal como uma das planícies mais conservadas do mundo;
  • Manejo de pastagens e enriquecimento ambiental: a rotação de pastagens, combinada ao uso de leguminosas e árvores nativas, melhora a dieta do gado, reduz a emissão de metano pelo rebanho e contribui para o sequestro de carbono no solo;
  • Mitigação de gases de efeito estufa: o manejo adequado das pastagens naturais reduz o acúmulo de biomassa seca, diminuindo o risco de queimadas e suas emissões;
  • Valorização do produto e da cultura pantaneira: a produção sustentável abre portas para certificações e selos de origem geográfica, aumentando o valor agregado da carne e preservando o conhecimento tradicional do peão pantaneiro;
  • Diversificação da produção: a geração de novas fontes de renda — como turismo rural, pesca esportiva e produção de mel — incentiva a conservação de áreas naturais e cria modelos produtivos mais resilientes às variações climáticas.
A pecuária no Pantanal é um exemplo único de como a tradição e a sustentabilidade podem caminhar juntas. No entanto, para garantir a produtividade e o bem-estar do rebanho nesse cenário desafiador, a escolha dos tratamentos de saúde é fundamental. Muitos produtores ainda têm dúvidas sobre qual abordagem terapêutica escolher para lidar com os desafios sanitários do campo. Você sabe qual é o melhor caminho para o seu gado? Continue em nosso blog e entenda a diferença entre alopatia e homeopatia em medicamentos animais e entenda como cada método pode impactar a saúde do seu plantel e a rentabilidade do seu negócio.
Dener Dias
Dener Dias
Dener Dias é jornalista, apresentador de TV, roteirista, escritor, produtor, cantor, músico e compositor. Graduado em Comunicação Social/Jornalismo pela UFMS, gosta de escrever, principalmente sobre o Pantanal, pecuária e suas peculiaridades. É autor do livro-reportagem Poeira Branca, no qual narra sua aventura real como peão e repórter em...
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