Fungo em bovinos: conheça os tipos, tratamentos e mais

Fungo em bovinos: conheça os tipos, tratamentos e mais

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Conteúdo
  • Quais são as causas e fatores de risco para fungos em bovinos?
  • Causas principais
  • Fatores de risco
As infecções fúngicas em bovinos representam um desafio silencioso, mas altamente prejudicial para a pecuária, resultando em perdas econômicas significativas que vão desde a desvalorização do couro até a redução na produção de carne e leite. Compreender os diferentes tipos de micoses (como a dermatofitose e a aspergilose), identificar os fatores de risco e adotar medidas preventivas e tratamentos eficazes são passos indispensáveis para assegurar a sanidade do rebanho, o bem-estar animal e a rentabilidade do produtor rural. Para saber mais, continue a leitura abaixo.

Quais são as causas e fatores de risco para fungos em bovinos?

As infecções são grandes problemas para o rebanho, pois geram prejuízos significativos. Além disso, quando se trata de infecções fúngicas, a situação pode ser ainda mais grave. Elas são causadas principalmente por fungos ambientais, como dermatófitos e Aspergillus, e aparecem com mais frequência em locais com manejo inadequado, superlotação e ambientes úmidos ou sujos.

Causas principais

As infecções fúngicas em bovinos variam conforme o tipo de micose, como dermatofitose ou aspergilose. No entanto, a maioria está relacionada aos fatores a seguir:
  • Fungos presentes no ambiente: esporos de fungos, como Trichophyton verrucosum e Aspergillus spp., são comuns no solo, em matéria orgânica em decomposição e em alimentos mal armazenados;
  • Contato direto entre animais: a transmissão ocorre com frequência por meio do contato com bovinos já infectados. Por isso, o isolamento de casos suspeitos é fundamental;
  • Equipamentos contaminados: materiais de manejo, como escovas e cabrestos, quando compartilhados sem higienização, espalham esporos rapidamente;
  • Inalação ou ingestão de esporos: feno úmido, silagem ou ração mofada podem liberar grande quantidade de esporos, gerando quadros respiratórios graves e até abortos de origem fúngica;
  • Feridas na pele: lesões causadas por arranhões, atritos ou picadas de insetos favorecem a entrada dos fungos no organismo.

Fatores de risco

Entenda quais são os principais fatores de risco:
  • Condições ambientais inadequadas: ambientes úmidos, quentes, mal ventilados e com acúmulo de matéria orgânica favorecem o desenvolvimento dos fungos;
  • Confinamento e superlotação: em locais muito cheios, a circulação de esporos aumenta — tanto em períodos de frio, em climas temperados, quanto ao longo do ano em regiões tropicais;
  • Baixa imunidade: animais sob estresse, desnutridos ou com outras doenças apresentam maior risco. O uso excessivo de corticosteroides reduz ainda mais a defesa do organismo;
  • Idade dos animais: bezerros e animais jovens são mais suscetíveis, principalmente à dermatofitose;
  • Higiene deficiente: a falta de limpeza das instalações e dos equipamentos cria um ambiente ideal para a proliferação dos fungos;
  • Alimentação inadequada: ração ou forragens com mofo podem conter micotoxinas, que enfraquecem o sistema imunológico e aumentam a probabilidade de infecções secundárias.

Quais são os tipos de fungos em bovinos?

Os fungos bovinos podem causar desde infecções superficiais até doenças sistêmicas graves, gerando perdas econômicas importantes. Por isso, o pecuarista precisa ficar atento aos diferentes tipos que acometem o rebanho.

Fungos dermatófitos

Os dermatófitos são responsáveis pela dermatofitose, uma infecção superficial que atinge pele, pelos e unhas. Eles utilizam a queratina como fonte de nutrição, tornando-se altamente contagiosos, principalmente em bezerros. Principais gêneros:
  • Trichophyton spp. — T. mentagrophytes, T. verrucosum;
  • Microsporum spp. — M. gypseum, M. canis, M. nanum,

Fungos filamentosos e leveduras oportunistas/sistêmicos

Geralmente acometem animais imunossuprimidos, estressados ou expostos a uso prolongado de antibióticos, podendo afetar os sistemas respiratório, digestivo e reprodutivo.
  • Aspergillus spp. (A. fumigatus, A. niger, A. flavus) — comuns em ambientes com matéria orgânica ou alimentos mofados; podem causar aspergilose pulmonar e aborto em vacas gestantes;
  • Candida spp. (C. albicans) — associada sobretudo à mastite micótica, mas também pode provocar lesões em outras regiões do corpo;
  • Cryptococcus spp. (C. neoformans) — pode causar mastite e, em casos graves, meningoencefalite;
  • Pythium spp. — responsável pela pitiose cutânea, doença séria que atinge bovinos e equinos; em alguns casos, as lesões regridem espontaneamente;
  • Outras leveduras menos comuns (Malassezia spp., Trichosporon spp., Rhodotorula spp., Geotrichum spp.) — associadas a mastites e diferentes tipos de lesões.

Fungos produtores de micotoxinas

Alguns fungos não causam infecção direta, mas contaminam grãos, rações e pastagens, produzindo micotoxinas que prejudicam severamente a saúde animal. Destacam-se Aspergillus spp. e Fusarium spp. Efeitos das micotoxinas: queda na produção de leite, infertilidade, imunossupressão, doenças hepáticas e problemas renais. Por isso, o controle da qualidade da alimentação é indispensável.

Como prevenir fungos em bovinos?

A prevenção começa por boas práticas de higiene — das instalações ao manejo diário. Veja as principais medidas:
  • Higiene e limpeza das instalações: ambientes limpos, secos e bem arejados reduzem drasticamente o risco de proliferação de fungos e facilitam a identificação precoce de problemas de pele;
  • Desinfecção de equipamentos: escovas, agulhas, peias e demais utensílios devem ser desinfetados regularmente para evitar a dispersão de esporos;
  • Controle de umidade: tanto nas instalações quanto nos alimentos — especialmente na silagem —, é importante evitar acúmulo de umidade, que favorece fungos produtores de micotoxinas;
  • Isolamento de animais doentes: ao notar sinais de infecção fúngica, isole imediatamente o animal para impedir a disseminação no rebanho;
  • Quarentena de novos animais: animais recém-chegados devem passar por quarentena para que possíveis doenças sejam detectadas antes de seu ingresso no grupo principal;
  • Controle de ectoparasitas: carrapatos, moscas e outros insetos podem favorecer infecções de pele. Um bom controle parasitário contribui diretamente para reduzir a ocorrência de doenças fúngicas;
  • Manejo nutricional adequado: dietas equilibradas fortalecem a imunidade. Minerais como o zinco desempenham papel importante na saúde da pele;
  • Evitar superlotação: ambientes com animais em excesso aumentam estresse, umidade e risco de contaminação;
  • Consulta veterinária: em qualquer suspeita de infecção fúngica, ou para elaborar um plano de prevenção mais completo, o acompanhamento veterinário é indispensável.

O que é dermatofitose em bovinos e quais são seus sintomas?

Microscopia mostrando células e estruturas bacterianas A dermatofitose — também conhecida como tinha, tinea, mela, chorona ou estreptotricose cutânea — é uma das doenças de pele mais comuns em bovinos. Além de afetar o bem-estar animal, causa prejuízos econômicos ao reduzir a produtividade e danificar o couro. Trata-se de uma doença altamente contagiosa, causada por fungos dermatófitos que invadem tecidos queratinizados (pele, pelos, cascos, unhas e chifres). Os principais agentes são dos gêneros Trichophyton (especialmente T. verrucosum) e Microsporum.

Transmissão

A transmissão ocorre por contato direto entre animais ou de forma indireta, por meio de objetos e ambientes contaminados: escovas, instrumentos de manejo, cercas, instalações, cochos e bebedouros. Ambientes fechados, úmidos ou com alta densidade animal aumentam drasticamente o risco de disseminação.

Fatores de risco

A doença tem maior ocorrência em períodos quentes e úmidos, mas a suscetibilidade depende principalmente do estado imunológico do animal. São mais afetados: bezerros e jovens (imunidade imatura), animais submetidos a estresse (desmame, transporte, lotação alta), bovinos com nutrição inadequada e animais debilitados por outras doenças. Em confinamentos, surtos podem atingir 50% a 70% do plantel.

Sinais clínicos

Conheça os sintomas mais comuns: Sintomas comuns:
  • Lesões circulares com perda de pelos (alopecia);
  • Bordas com pelos grossos e quebradiços;
  • Crostas secas, caspa e descamação;
  • Hiperpigmentação (pele escurecida) em fases avançadas;
  • Vermelhidão e irritação ao redor da lesão;
  • Possível espessamento da pele.
Em infecções graves:
  • Lesões múltiplas que se espalham, formando anéis concêntricos;
  • Lesões inflamadas com pus;
  • Pele áspera e com bolhas.
Localização mais comum:
  • Início: tábua do pescoço, cabeça e regiões laterais do tórax;
  • Avanço: dorso, flancos e parte posterior do corpo.

Diagnóstico

O diagnóstico geralmente é clínico, pela aparência típica das lesões. Para confirmação, pode-se realizar cultura fúngica, exame direto dos pelos ou lâmpada de Wood (dependendo da espécie).

Como tratar dermatofitose em bovinos?

A dermatofitose é mais comum em bezerros com até um ano de idade e em animais imunodeprimidos ou debilitados. Não há predisposição por raça ou sexo. Por ser uma zoonose, pode contaminar pessoas em contato direto com os animais infectados. O tratamento pode ser tópico ou sistêmico, conforme a gravidade das lesões e o número de animais acometidos. Na escolha da melhor abordagem, muitos produtores avaliam a relação entre alopatia x homeopatia, buscando a alternativa mais viável para a realidade da fazenda. Em todos os casos, o acompanhamento veterinário é fundamental, pois, embora a doença seja autolimitante na maioria das vezes, o tratamento correto acelera a recuperação e reduz a transmissão.

Tratamento tópico

Inicia-se pela remoção das crostas com escova, raspador ou gaze umedecida, para melhorar a penetração dos antifúngicos. As opções mais utilizadas são:
  • Iodo a 10% — aplicar diretamente sobre as lesões; manter o animal fora do sol após o uso;
  • Hipoclorito de sódio a 10% — diluir em água e lavar a área afetada (usar com cautela);
  • Compostos quaternários de amônio — ação antifúngica e antibacteriana;
  • Tiabendazol (5–10%) — em pomadas ou soluções aplicadas diretamente nas lesões;
  • Sulfato de cobre — solução com 150 g em 5 litros de água para lavagem das áreas acometidas.

Tratamento sistêmico

Indicado para casos severos, com lesões extensas ou grande número de animais afetados.
  • Antifúngicos azólicos (cetoconazol, itraconazol, fluconazol) — uso oral, sob prescrição veterinária.
  • Ivermectina — alguns estudos sugerem auxílio no controle ao estimular a resposta imunológica; uso avaliado por profissional.

Cuidados adicionais

  • Isolamento dos animais doentes para reduzir a disseminação.
  • Desinfecção das instalações: currais, cochos, bebedouros e utensílios em contato com animais acometidos.
  • Prevenção: evitar a compra de animais com lesões suspeitas, reduzir situações de estresse e manter boa nutrição.

Quando chamar o médico veterinário?

O acompanhamento profissional é fundamental tanto para a gestão preventiva quanto para situações de emergência. Fique atento ao comportamento dos animais e mantenha visitas frequentes à propriedade.

Visitas proativas e regulares

Em visitas programadas, o veterinário pode auxiliar em:
  • Calendário sanitário — cronograma de vacinações, vermifugações e controle de parasitas;
  • Exames de rotina — testes para doenças comuns e zoonoses, como brucelose e tuberculose (obrigatórios em muitas regiões);
  • Manejo e nutrição — orientações sobre formulação de dietas, melhoramento genético e bem-estar;
  • Reprodução — protocolos reprodutivos, diagnóstico de gestação e assistência ao parto.

Sinais de doença: quando chamar imediatamente

  • Alterações de comportamento: apatia, isolamento, agressividade inesperada ou prostração;
  • Problemas alimentares ou digestivos: falta de apetite, emagrecimento, diarreia persistente ou redução da ruminação;
  • Sinais físicos: febre alta, dificuldade respiratória, icterícia, urina escura ou inchaços anormais;
  • Mobilidade reduzida: claudicação ou dificuldade para se levantar;
  • Secreções e lesões: corrimento nasal ou ocular, feridas, lesões de pele ou cascos deformados;
  • Problemas reprodutivos: abortos, retenção de placenta ou dificuldades no parto.

Doenças de notificação obrigatória

Algumas doenças, como febre aftosa, raiva e brucelose, exigem notificação imediata aos serviços veterinários oficiais. A comunicação rápida é essencial para evitar a propagação e é um dever legal do produtor rural. Os contatos podem ser encontrados nos sites do Governo Federal ou da agência de defesa agropecuária local. Agora que você já conhece as causas e tratamentos de fungo em bovinos, continue em nosso blog e aproveite para conferir os principais vermes bovinos e como tratá-los. Até breve!
Dener Dias
Dener Dias
Dener Dias é jornalista, apresentador de TV, roteirista, escritor, produtor, cantor, músico e compositor. Graduado em Comunicação Social/Jornalismo pela UFMS, gosta de escrever, principalmente sobre o Pantanal, pecuária e suas peculiaridades. É autor do livro-reportagem Poeira Branca, no qual narra sua aventura real como peão e repórter em...
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